A ausência é um plano inabitado, onde só há silêncio. Uma faixa de praia sem banhista, a sala iluminada pelo sol do fim da tarde, a parede onde se escora um violão mudo. nos dias de solidão e falta, um livro como entrega incondicional à saudade. Ela tem os olhos submersos na lembrança.  ocupa seus dias. pinta paredes, varre a casa, ensaia o amor. ele, de muito longe, a intui:

“tem alguém/ do outro lado/ da linha divisória/ que desenha/ minha linha provisória/ pintando meu rosto/ da cor do encontro”.

Persistem, tateando as palavras que as sombras de um projetam na penumbra do outro. Ele a oferece os planos de linhas marcadas da fotografia, silentes. Ela os povoa com braços, olhos, pernas, bichos, plumas que tremulam, coloridos, muito vivos. Uma obra sobre deixar o corpo ir, alheio ao porém da distância. Corpo livre. “uma vez alguém tentou/ alguma coisa pela metade/ e falhou tão desesperadamente”.

O amor não falha. permanece.

Juliana Diniz

DANZA

Raisa Christina & Nahuel Souto

1ª edição, 2018